Archive for the ‘quase poesia’ Category

poema aromático

As pessoas em órbita
Deixam resquícios no ar
Notas de saída
Já denotam sua vinda
Ele passa
Fruta doce
Ela te esbarra
Madeira molhada
Alguém te olha
Fumaça híbrida
Você me olha
Algodão

As pessoas em laços
Incorporam seus cheiros
Notas de corpo
Anotam sua mensagem
Ele te trai
Flores secas
Ela canta
Tons cítricos
Alguém é mal
Ralo entupido
Você é bom
Hortelã

As pessoas em forma
Criam suas atmosferas
Notas de fundo
Te notam na frente
Ele te abraça
Amaciante
Ela chora
Lavanda
Alguém vai embora
Chuva
Você chega
Sorriso

A mulher que passou correndo

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Eu quero ser tudo
Um mistério profundo

Meu peito em escudo
Catarse do mundo

Eu quero ser mudo
Um coração vagabundo.

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da substância que compõe os dias
mistura de acaso sem categoria
combinações solares lunares estelares
esbarro desprevenido no ombro dum desconhecido
risco reto que entortou, filme que queimou
dedo na quina, encontro na esquina
mãe que telefona, dançar de uma anêmona
céu em incêndio, pano azul sem dispêndio

E de repente me choco, te toco
sobressalto gama de estrela que exclama
teus olhos em cometa, desórbita violeta
da cor que nasceu num planeta que morreu

O tempo valsa sapateia, risca fósforo incendeia
passa feito vento e dispensa ritmo lento
acaso ocasionado, cabelo embaraçado
penteia dente e lábio num movimento sábio
momento que determina, aprende e ensina
vasculha a alma e irrita a calma
desfaz a cama, corpo em chama
em chama me chama.

não acredito em coincidência
sou mais da quiromancia
o astro no céu é ciência
ceticismo é discrepância

líquido acaso de motivo raso
tu aparece, meu peito cresce
para e me olha e corre e me molha
o tempo, o choque, o vento, o toque
mapa astral em ascendência acidental
casa quatro na lua, minha mão na tua
zodíaco permite que eu de bobo insiste
pra você vir, pra gente existir.

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verso solto


tantos
versos
entre as
muralhas
de Netuno
e os olhos
da lua
sobre
a pele
de quem
sobrevoa
os traços
e as cores
do mundo
no cotidiano
de Saturno
e seus dias
curtos
há tantos
versos
nas vogais
de Corsino
as esquinas
os morros
a costa
das ilhas
entre as
verdades
e as janelas
o outro
verso
de outra
língua
e a mesma veste
da minha língua

…fundidos
Orbitais barbitúricos
Em córtices associativos
Da grande mente universal
Vermelho-pulsante
Tendendo sempre
por ceder
Uma outra vez
Ao doce estranho
que o complete…

que faça ser
que seja feito
incompleto
ou imperfeito
mas tece feito teia
corre feito veia
verso feito maré
feito espuma
verso que se é
feito bruma
verso que voa
verso que pousa
da língua que fala
do olho que ousa.

– Por Pedro Rieger, Yuri Pospichil e Sillas Henrique.
Numa madrugada qualquer em que os três não se conheciam.

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Sou desses seres sem rumo

Que dançam à noite e não vêem o dia

Pintando nuvens com baunilha

E céus com aquarela

Que talvez não tenham tanto amor à si

Mas que talvez amem a vida que levam

Esses seres que vagam como nômades

Vivendo a procurar por qualquer coisa

Com o destino em mãos

Numa língua que não sabem ler.

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és meu outono quando conforta minha dor;
és meu verão quando me aquece;
és minha primavera quando floresce amor,
és meu inverno quando me esquece.

(O seu coração é feito de tundra.)

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